domingo, 15 de julho de 2012

Corpo de PM morto em tentativa de assalto é sepultado em Sulacap

Por Thais Miquelino

Rio - O corpo do sargento da PM Ben-Hur Lourenço Couto, de 51 anos, foi sepultado neste domingo, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Ele foi assassinado na noite de sábado, numa tentativa de assalto, quando chegava para trabalhar em uma cabine na Rua Aníbal Porto, em Irajá.

Uma outra vítima dos ladrões reconheceu dois dos criminosos na Divisão de Homicídios.
A mãe do sargento, Célia Lourenço Couto, contou que o PM, há 28 anos na corporação, se aposentaria este ano.

“Ele já tinha tempo de serviço. Estava apenas esperando o curso para se transformar em primeiro-tenente. Meu filho era um homem de bem”, disse. Ben-Hur era lotado no 41º BPM (Irajá). Ele deixa um filho de dois anos e uma filha de apenas cinco meses.

Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Corpo de sargento é enterrado | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Na noite de sábado, o PM saiu da festa julhina da escola do filho, em Vicente de Carvalho, por volta das 18h40. Passou em casa, no mesmo bairro, e seguiu para o trabalho. Estava fardado.

O crime ocorreu por volta das 19h30, quando o policial estacionava seu carro em frente à cabine. Três bandidos fugiam de uma viatura da PM num Renault roubado, bateram o veículo e tentaram assaltar o sargento. Ao perceberem que se tratava de um policial, dispararam vários tiros.

Os ladrões seguiram a pé até a Avenida Brasil, próximo ao Trevo das Margaridas, onde roubaram outros motoristas antes de fugir. Neste domingo, a Polícia Militar fez buscas naquela região.

O dono do Renault Fluence usado pelos criminosos prestou depoimento e reconheceu dois dos três bandidos. O delegado da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa, trabalha com a hipótese de latrocínio — roubo seguido de morte.

“O mais provável é que a causa da morte tenha sido a tentativa de roubo”, afirmou.

O Dia Online

terça-feira, 10 de julho de 2012

Dia de inaugurações e noite de tiroteio no Complexo do Alemão

Wilson Mendes

No mesmo dia em que foram entregues as novas sedes das UPPs do Complexo do Alemão, policiais da unidade Morro do Alemão sofreram atentados a tiros. Ninguém ficou ferido nas ações e, no momento, estão sendo realizadas buscas nas matas do entorno para encontrar os atiradores.

Morro do Alemão enfrentou troca de tiros nesta segunda-feira Morro do Alemão enfrentou troca de tiros nesta segunda-feira Foto: Urbano Erbiste / Extra

Eram 19h quando um grupo de três homens armados com pistolas começou a atirar na direção de dois policiais que estavam baseados na localidade conhecida como Central, perto da estação do teleférico. Os homens, que estavam a pé, conseguiram fugir e os policiais não revidaram os tiros.

Uma hora depois, na localidade Pedra do Sapo, outra dupla de policiais estava fazendo patrulhamento de rotina quando se depararam com um grupo de cinco homens armados. Os bandidos atiraram na direção da viatura e os policiais revidaram. O tiroteio não foi longo. Logo os homens entraram na mata. Os policiais pediram reforços às UPPs próximas e homens das unidades Fazendinha e Nova Brasília estão dando apoio à equipe do Alemão.

Segundo a Controladoria de Polícia Pacificadora, as buscas pelos bandidos podem durar toda a noite. A princípio, trata-se de casos de atentado isolados. A primeira ocorrência já foi registrada na 22ª DP (Penha).

Extra Online

Polícia investiga se sequestrador de bebê pertence a quadrilha

Roberta Hoertel

A Polícia Civil está investigando a ligação de Altair Ferreira dos Santos e Géssica Paulino Marinho, envolvidos no sequestro de um bebê em Saquarema, com uma quadrilha que rouba e vende recém-nascidos.

A hipótese foi levantada após o depoimento de duas outras mães, que também afirmaram terem sido abordadas pelo criminoso. A versão dada pelo casal em depoimento, de que receberia R$ 500 mil pelo nascimento de um herdeiro, foi descartada pela polícia.

— Esta foi uma história criada pelos envolvidos para desvirtuar as investigações. Nada ficou confirmado sobre a herança e o fazendeiro não apareceu ainda — afirmou o delegado Luciano Coelho, da 124ª DP (Saquarema).

Casal é suspeito de integrar quadrilha Casal é suspeito de integrar quadrilha Foto: divulgação

Uma das mães foi abordada por Altair e sua quadrilha no mesmo dia em que o grupo sequestrou Gustavo. Em depoimento, a mãe da criança — que teve o filho no mesmo dia e local em que Gustavo nasceu — contou que dois homens armados invadiram sua casa com a alegação de cobrança do pagamento de uma dívida. Retiraram o bebê dos braços da mãe e prenderam ela e outra testemunha em um quarto separado. Ao ser desligada do filho, a vítima informou que o bebê estava doente (o que era mentira) e precisava ficar sob os cuidados dela. Um dos homens então informou sobre o problema ao grupo, que roubou o celular da vítima e fugiu do local. O sequestro de Gustavo aconteceu cerca de cinco horas depois.

Além do mesmo plano de sequestro, outro forte indício de formação de quadrilha é o fato de Altair procurar sempre um menino, branco e ainda com o cordão umbilical. Neste mesmo período, apenas cinco crianças nasceram na maternida em que Altair tinha acesso, destas apenas duas eram meninos, exaramente as duas famílias procuradas pelo bandido.

— Não descartamos a hipótese de ele providenciar o registro. Com o registro tardio, você tem a possibilidade de fazer a certidão sem a presença do pai. Poderiam levar a criança para qualquer parte do país ou até para o exterior — explicou o delegado.

A polícia agora busca encontrar outros envolvidos no sequestro. Até o momento, apenas um homem, identificado como Maxwell, morador do Morro do Castro, em São Gonçalo, teve a participação confirmada no crime. Ele foi citado nos depoimento de Altair e Géssica como a pessoa que ajudou na negociação das crianças:

— Estamos pesquisando o arquivo do hospital para ouvir todas as mães que deram à luz nos últimos 20 dias.

Em depoimento na tarde de ontem, um funcionário do hospital onde nasceram os alvos de Altair confirmou que o criminoso o procurou para ajudá-lo a conseguir uma criança para adoção.

Segundo o funcionário, Altair chegou ao hospital pedindo ajuda para uma amiga que teve gravidez psicológica e queria um filho para adotar. O funcionário, então, indicou uma paciente que havia dito que passava por dificuldades financeiras e, por isso, colocaria o filho para adoção.

Ao saber da história, Altair disse que um médico iria adotar e teria totais condições de cuidar da criança. Ele também arcaria com todos os custos do registro do recém-nascido. Ele ainda chegou a oferecer R$ 10 mil ao funcionário para que ele conseguisse a adoção da criança, exigindo apenas que fosse um bebê branco e do sexo masculino. O funcionário disse que não quis o dinheiro, afirmando que faria a proposta apenas para ajudar a mãe.

Entretanto, a mãe negou a proposta e afirmou que passaria a cuidar do próprio filho. O funcionário, então, informou a Altair, que saiu do hospital e passou a fazer as ofertas direto à família.

Extra Online

domingo, 1 de julho de 2012

Policial morto na Chatuba foi enterrado na tarde deste sábado

Extra

O sepultamento ocorreu na tarde de ontem, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Cerca de 400 pessoas estiveram presentes. Amigos, familiares e companheiros de farda fizeram questão de enfatizar o bom-humor de Mendonça.

— Ele era só alegria, estava sempre sorrindo. Foi o cara mais brincalhão que conheci na vida — destacou o segundo sargento Jeovan dos Santos, que trazia estampada na camisa a imagem do amigo sorrindo, com os dizeres: "Marcelo pura alegria". Os dois se conheceram em 2008, quando faziam parte da Força Nacional.

Sepultamento de Marcelo Correia Mendonça Sepultamento de Marcelo Correia Mendonça

Marcelo Mendonça integrava o Grupo de Operações Táticas Especiais (Gate) do 20 BPM. De acordo com o tenente-coronel Marcos Borges, comandante do batalhão, o policial morto "vestiu a camisa do combate ao tráfico".

O policial era solteiro e não tinha filhos. O caso está sendo investigado pela 53ªDP (Mesquita).

De acordo com o comandante do 20 BPM, tenente-coronel Marcos Borges, desde novembro foram efetuadas 888 prisões correspondente ao batalhão. Só na comunidade da Chatuba, foram detidas 152 pessoas. O segundo sargento Marcelo Correia Mendonça, que estava no batalhão há dois meses, foi responsável por 10 dessas prisões.

Operações para coibir o tráfico de drogas local tem ocorrido diariamente. Segundo o comandante Borges, a polícia ocupará a comunidade por tempo indeterminado.

— Colocarei quatro equipes, com cinco homens cada, em pontos estratégicos até conseguirmos indentificar e prender os meliantes.

Extra Online

domingo, 24 de junho de 2012

Sargento da PM é morto em arrastão no Cachambi

Por Luiz Almeida

Rio - O sargento Cláudio Gomes Pereira, do Centro de Recrutamento e Seleção de Praças da Polícia Militar (CRSP), foi morto a tiros por bandidos que realizaram um arrastão na Rua Degas, altura do número 400, no Cachambi, na Zona Norte, próximo ao Norte Shopping. De acordo com a polícia, o agente, de 41 anos, foi reconhecido pelos criminosos e executado na frente da esposa e da filha. O crime aconteceu por volta das 17h30 desde domingo.

Segundo policiais do 3º BPM (Méier), cinco bandidos a bordo de um veículo fecharam o Idea, placa KXS 2469, que estava na frente do carro do sargento, e iniciaram o arrastão. Ao perceber que seria assaltado, o policial chegou a esconder sua arma debaixo do banco e pediu para que a esposa, que dirigia o carro, e a filha saíssem do veículo.

Mas ao deixar o carro, os bandidos notaram o coldre na cintura e descobriram que o policial era sargento da PM. Cláudio Gomes Pereira foi baleado pelos assaltantes, mas ainda chegou a ser socorrido. Levado para o Hospital Salgado Filho, o sargento não resistiu aos ferimentos.

Moradores de um condomínio em frente ao local do arrastão contam que os assaltos na região são frequentes. De acordo com a artesã Regina Célia Duarte, de 49 anos, os assaltos costumam acontecer no início da manhã e no fim da tarde. “Já não é de hoje que pedimos a instalação de uma cabine da PM, mas, infelizmente, ainda não fomos atendidos”, desabafou.

O Dia Online

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Caso da Juiza Patrícia Acioli - A verdade !!!

Delator do caso irá responder também por ter desviado os projéteis que matou a juiza

O juiz Március da Costa Ferreira, da Auditoria da Justiça Militar, aceitou nova denúncia do Ministério Público do Rio contra o cabo Sérgio da Costa Júnior.

Ele, que é um dos onze denunciados por envolvimento na morte de Patrícia Acioli, em 2011, é acusado de desviar da Polícia Militar os projéteis usados na execução da juíza, conforme noticiou a coluna de Ancelmo Gois nesta segunda-feira (14).

Segundo o Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, Sérgio foi denunciado por peculato - quando um funcionário público usa o cargo para tirar qualquer tipo de vantagem. 

Comento:

Esse tipo de informação nos faz parar para pensar... Será que realmente houve um mandante para este crime? Aonde está a participação do restante do GAT neste crime?

Pensem...

A princípio as investigações chegaram em 03 pessoas, O tenente e dois cabos, o restante dos acusados, não apareceram em nada!!!

A família da Juiza Patrícia Acioli, queria que houvesse um mandante a todo custo...

Depois que o Cabo Sérgio Costa Júnior sob pressão, coação e constrangimento, optou por beneficiar-se da delação premiada...

Vejam bem... Um réu confesso em troca de redução de pena, envolveu todo o GAT, e olha que incrível!!! Acharam um mandante!!!

O crime foi cometido por este réu confesso e com ajuda, segundo ele, do tenente, em juízo ele disse:

“ estou muito arrependido, minutos depois eu já estava muito arrependido..”

Quando o Juiz perguntou a ele o motivo de tantos disparos, ele respondeu:

“ foi um momento de muita raiva, ódio... Eu estava me sentindo injustiçado...”

E vocês sabem por que ele estava se sentindo injustiçado??

Por que a Dr. Patrícia Acioli tinha acabado de decretar a prisão dele e do restante da guarnição. O único que ficou de fora nesta prisão foi o Soldado Junior Cezar de Medeiros.

Ele, Sérgio Costa Júnior, tinha ficado sabendo desta prisão horas antes de matar a juíza, quando sua advogada ligou informando que a juíza tinha decretado a prisão deles por causa de um auto de resistência. (auto de resistência, para quem não sabe, é quando alguém morre em confronto com a PM).

Ora, se eles já estavam tramando a morte da Juiza, por que não o fizeram antes? Por que eles esperaram ela decretar a prisão deles?

Simples de se responder:

Por que não houve planejamento, eles resolveram acabar com a vida da juiza por um impulso de raiva, ódio...

Naquele dia (11 de agosto de 2011) eles sabiam desde cedo que a juíza estava com o papel em sua mesa para assinar ou não a prisão deles, a advogada na época tinha avisado e estava tentando evitar, quando eles souberam que a juíza tinha assinado a prisão deles, eles resolveram a matar, por pura vingança...

Pergunto: Por que precisa de um mandante?

Agora o MP público denuncia este mesmo réu confesso delator, por ter desviado as munições que mataram a juíza, E ONDE ESTÁ A PARTICIPAÇÃO DOS OUTROS? Se os outros PMs ajudaram, planejaram, incentivaram... Poxa... Deixaram tudo nas mãos do réu confesso? Coitadinho... Não ajudaram nem a desviar as munições? Fizeram o quê, então eles???

A maioria estava em casa, não sabia de nada que estava para acontecer, mas hoje eles estão em BANGU 1, e vocês sabem onde está o réu confesso? É... aquele que matou a juíza com 21 tiros? Esta numa boa, recebendo visita da esposa a hora que quer, comendo bem... Dormindo bem... Vendo TV, ouvindo som...

Isto é justo Povo????

Vamos acordar BRASIL!

Caso da Juiza Patrícia Acioli

domingo, 17 de junho de 2012

Polícia Militar fará ‘bico’ para patrulhar as ruas

Rio

Prestes a instituir o 'bico' na polícia, o que pode aumentar o salário do soldado em até R$ 1.800 a mais por mês com horas extras, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame prepara um ‘choque’ de patrulhamento nas ruas do Rio.

Com entusiasmo, explica que o pagamento do Regime Adicional de Serviço (RAS) já é feito a policiais que trabalham para a corporação nas folgas da Rio+20. A novidade, que faz parte do decreto de redistribuição de agentes, será inaugurada oficialmente dia 1º para suprir o déficit do efetivo em duas cidades na Baixada.

Aos 56 anos e há cinco e meio no cargo que ganhou destaque com a criação das UPPs, ele cobra a execução de projetos sociais em áreas pacificadas e informações sobre o crescimento habitacional.

O DIA: O que está sendo feito sobre o decreto de redistribuição de policiais anunciado há alguns dias?

BELTRAME: – Fizemos levantamento das deficiências dos batalhões. O mapa indica que os índices de crimes vão diminuindo nas áreas onde há mais policiais. Para aumentar o efetivo, vamos pagar hora extra através da RAS pelo trabalho de policiais em dias de folga. O agente será pago para recomplementar o serviço onde é lotado ou em outro batalhão.

Quanto será pago?

Serão pagos R$ 150 por turno de oito horas extras ao soldado, que poderá fazer no máximo 96 horas extras no mês. A possibilidade é de ganho de até R$ 1.800 além do salário, que é de R$ 1.625. É o equivalente a 12 dias de trabalho durante as folgas a cada 30 dias.

É um “bico” oficial na corporação?

Sim. Este valor é competitivo em relação ao bico que alguns policiais fazem nas folgas. Além disso, é muito melhor para o policial trabalhar fardado, legalizado, com a viatura, com a arma dele, com proteção social.

Quais serão as áreas prioritárias?

Vamos começar pela Baixada Fluminense, entre outras áreas. Por exemplo: um batalhão com carência de 286 homens vai ter 286 por dia. Vamos ver o resultado.

Foto: Arte O Dia

Foto: Arte O Dia

Quando começará?

Oficialmente no dia 1º de julho, embora já tenha estreado na Rio+20.

O senhor acha que isso pode ajudar a reduzir a ação das milícias, que são integradas por muitos policiais nas horas de folga?

Claro. A gente espera que isso tenha efeito de redução de criminalidade. Sendo a milícia um crime, terá impacto. O que queremos é resolver o problema da falta de efetivo. Não há uma política de concurso público. Há anos, foram criados novos batalhões sem novos policiais. Eram só trocados. Qual o critério para fazer isso? Político. O centro da cidade tem cinco batalhões. Para quê?

Por que o Rio tem 22 UPPs em áreas antes dominadas pelo tráfico de drogas e apenas uma onde havia milícia, no Batan?

Porque não está na nossa rota. O combate à milícia tem a mesma lógica da UPP. O grande problema da milícia ocorria em Campo Grande. Fizemos grandes prisões de milicianos naquela área. E qual foi a ocupação social lá? Se tiramos o transporte clandestino e não é oferecido o transporte público para a população, se tiramos o 'gatonet' e a milícia da área, mas as distribuidoras legais não chegam com os serviços oficiais, estamos suscetíveis a ter os mesmos problemas. Vamos voltar lá.

Combater a milícia é mais complicado do que enfrentar o tráfico, já que o miliciano pode ser policial e tem ligações dentro do Estado?

Há uma série de requisitos que complicam a milícia. O primeiro deles é que existe há 20 anos no Rio. Nos primeiros 10 anos era considerada por alguns como possibilidade de ser positiva. O segundo requisito é que as instituições policiais não reagiram contra, não criaram métodos de investigação. O problema se avolumou. Foi preciso aprender a trabalhar com isso, que é diferente de tudo que se fez até agora. Envolve servidor público, servidor público de folga, armado e fazendo o que é do estado. Para estes quatro 'ingredientes' não existe um tipo penal como é o caso dos homicídios: quem mata alguém vai preso. Com milícia não havia isso, por inércia ou seja lá o que for.

Na sua opinião um dos grandes obstáculos da segurança pública é que suas ações não são seguidas pelos serviços públicos?

As ações sociais não têm a velocidade e a pontualidade que eu entendo que deveriam ter para dar resposta social após uma intervenção policial. Isso não me isenta de agir, quero deixar claro. Mas são funções absolutamente necessárias e complementares. Um exemplo claro é o que houve em Campo Grande. Fomos no foco dela, prendemos gente muito importante, mas a parte social não foi feita. O policial vai ter que ficar lá para fiscalizar os serviços de TV a cabo, gás, água, sinal de internet, ônibus? Eu digo isso, senão vão dizer que não combatemos a milícia, que o problema é de segurança. Da mesma forma, se a gente entra no Jacaré e fica só com a polícia lá, ficamos fadados ao insucesso.

Foto: Marcio Mercante / Agência O Dia

Beltrame apresentará a Cabral estudo com o impacto que crescimento da população provoca na segurança em áreas de grande desenvolvimento industrial | Foto: Marcio Mercante / Agência O Dia

Quais os serviços prioritários em comunidades pacificadas?

É preciso oferecer programa de empregabilidade, que mostre para as pessoas que depois do muro da favela tem um mundo inteiro. Mas tem que mostrar para eles. Eles não sabem.

O que o senhor pediria ao governador nessa área?

Tem que criar perspectiva nas comunidades, mostrar que há outro mundo depois do muro das favelas.

O senhor tem percorrido comunidades. A questão educacional, que é uma das mais importantes, tem sido desenvolvida nas áreas pacificadas?

Acho que a malha de ensino, tanto estadual como municipal, é muito boa. Está bem distribuída nas áreas. Não sei como funcionam, mas há escolas.

As ações de saúde também podem ajudar na percepção e no aumento da segurança de alguma forma?

Acho que sim. Tudo que valoriza a vida das pessoas em nome da dignidade é positivo, porque se mostra ao cidadão que é muito melhor estar do lado do estado, da prefeitura, do que do lado do tráfico, da milícia, da tirania.

Mesmo quando existem, os programas nem sempre atingem todos que necessitam. Na Cidade de Deus, por exemplo, há o Projeto Rio 2016 para a criançada, oferecido pela Secretaria de Esporte e Lazer. Há 400 crianças participando e mais de mil na fila para fazer esporte.

A gente é suspeito para falar, mas tem muita coisa virtuosa. O segredo, para mim, é integrar, diminuir o conceito de cidade partida. Uma aula de música de graça que começou a ser oferecida no Morro da Babilônia hoje beneficia pessoas no Alemão, Pavão e em outros quatro ou cinco morros.

As novas políticas de crescimento habitacional estão de acordo com a política de segurança?

Os programas habitacionais devem existir. Mas o que a gente precisa, como técnico, é saber a densidade demográfica dos lugares para planejar a segurança pública. Se a população crescer em determinadas áreas sem o nosso conhecimento, fatalmente vamos ter, depois de algum tempo, uma deficiência de policiais nestas regiões. Se tivermos cinco mil pessoas em um programa habitacional e não houver transporte adequado para elas, a possibilidade de criação de um serviço de transporte alternativo por milicianos ou outros grupos clandestinos é muito grande.

Mas o senhor não tem controle sobre este aumento populacional nas áreas?

Não. Tenho solicitado informações sobre como a prefeitura cuida disso. Busco e quero esta resposta. Preciso saber o número de moradores.

O senhor tem obtido resposta?

Não.

A presidenta Dilma Rousseff assinou repasse de verbas para turbinar projetos de desenvolvimento no estado. O Rio tem vários polos novos de desenvolvimento, como o Comperj e Porto do Açu. A secretaria está preparada para o impacto disso?

Vamos apresentar ao governador um estudo que fiz junto com o Instituto de Segurança Pública, contendo recomendações com visão prospectiva de aumento de população. Temos que ver aonde estas pessoas vão ser alocadas e a perspectiva de empregabilidade para mostrar ao governo em tempo para buscar soluções.

As UPPs aceleraram o processo de crescimento das favelas no Rio?

Acredito que sim. Isso acontece na medida em que as pessoas não precisam mais prestar contas para um desconhecido criminoso.

O senhor tem um levantamento que mostre que algumas comunidades aumentaram de tamanho ou de população?

Não tenho dados, mas percebo quando vou aos lugares. Vejo coisas que na visita anterior não existiam. Há movimento de material de construção. Pode ser para reforma, mas também pode ser para nova obra. Li que o Vidigal está aumentando. Precisamos ter controle disso. Se a população aumentar naquela área, vou ter que colocar mais 50, 60 policiais lá.

Foto: Arte O Dia

Foto: Arte O Dia

Isso é mais grave em alguma região da cidade, como a Zona Sul, por ser mais turística e valorizada?

Acho que o crescimento pode ser maior na Zona Sul, onde a possibilidade de empregabilidade também é maior. A minha preocupação principal é com o que pode acontecer no futuro. Quero ver daqui a 10, 15 anos. Não dá para esperar 10 anos para ter resultado de um Censo (do IBGE) para nos planejarmos.

Isso pode estar está influenciando no aumento de crimes como os de roubo a residência e assalto a motoristas na cidade?

Na Zona Sul tivemos pessoas presas, que eram do Jacaré. Em Niterói, de 400 pessoas presas, 30 eram do Rio. Não dá para dizer que não há migração, mas ela é pequena. A questão é a oportunidade, a facilidade que existe em determinadas áreas.

O que tem sido feito contra o crack?

É um problema de saúde pública. Muito crack é apreendido. Não é um produto de valor. Em áreas carentes se compra por R$ 1 ou R$ 2. À medida em que se combate o tráfico de drogas, se combate o crack. Isso porque a venda é feita casada. Os agentes são os mesmos e casam a venda do crack à da cocaína. Vejo isso como um mercado. É uma forma de tornar a venda mais rentável e com menos custo.

E o tráfico de armas e de munição?

Eu hoje focaria na criação de um mecanismo de investigação nacional sobre munição. Precisamos ter informações dos produtores sobre quem compra, sobre a origem. Mas não é feito. Se eu pego um fuzil Ruger aqui, não sei como chegou, onde foi fabricado e para onde foi vendido. Busquei a origem daquele monte de armas apreendidas no Alemão e as respostas vieram todas desencontradas.

Estamos em plena Rio+20, depois vem Copa do Mundo. O Brasil não tem tradição de enfrentar problemas decorrentes de embates ideológicos radicais no mundo, que motivam terrorismo. O senhor está preocupado com isso?

Temos que ser preventivos, mas a ação é da Polícia Federal. A gente tem que ficar atento.

Como secretário de Segurança, qual é a sua maior preocupação em relação à Rio+20?

É com o cidadão, com a sensação de segurança que a gente tem obrigação de dar ao cidadão carioca. Acho que os grandes eventos são importantíssimos para a cidade. O Exército está dando apoio. O Rio de Janeiro está bem preparado para este evento e também para os outros.

O Rio desperta a curiosidade natural dos turistas nacionais e estrangeiros. O senhor teria alguma recomendação especial para evitar alguma área?

Não. Acho que as pessoas podem buscar pontos turísticos no Rio de Janeiro, aproveitar a cidade. Só a PM está com sete mil homens na rua. Está contemplando estes lugares onde normalmente existe acesso de turistas maiores. Acho que tem que ser vida normal para todos nós.

Incluindo as favelas?

Entendo que as pessoas possivelmente vão a favelas pacificadas. A realidade das áreas que nós temos conflagradas é histórica. Não é na Rio+20 que tem favelas conflagradas. Na Rio 92 tinha muitos mais favelas conflagradas do que tem hoje.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio encaminhou ao TSE pedido de reforço de tropas do Exército ao longo da campanha eleitoral. Como o senhor avalia a atitude?

Vi nos jornais a declaração do presidente do tribunal. Se ele acha que há necessidade, não vejo problema. O Exército já é parceiro nosso.

Vê necessidade?

Só não podemos fazer da Segurança Pública um palanque eleitoral. Mas, se esta é uma demanda do tribunal, a gente aceita, acata e ajuda.

O senhor acha que criou uma estrutura? Seu sucessor vai ter estrutura?

Sim. Se for trocado amanhã, já deixei tudo pronto. Como o prédio do Centro Integrado de Controle de Comando, a Cidade da Polícia, o Centro de Operações Especiais da Polícia Militar, novas instalações da Secretaria de Estado de Segurança, entre outros.

E a área de tecnologia?

A licitação está em fase final para a aquisição de câmeras para equipar cerca de dois mil carros das polícias.

Qual é a previsão para a instalação de UPPs fora da cidade do Rio?

Será preciso esperar um pouco. Pelos menos 40 UPPs estarão instaladas no Rio de Janeiro até o fim de 2014. Hoje já temos 23 UPPs e nos próximos meses serão inauguradas mais quatro no complexo da Penha e ainda tem a UPP da Rocinha.

Em que lugar da caminhada o senhor acha que está desde janeiro de 2003?

Em função do mundo ideal? Nem na metade.

Imagina em 2014 estar em qual ponto da caminhada?

Em 2014 eu pretendo estar na casa de 10, 12 homicídios por 100 mil habitantes. Hoje o número é em torno de 24. Conviviam aqui com 60. Quando assumi eram 40.

Qual é o índice atual de resolução de investigação de homicídios?

Estamos na casa dos 30% a 32% de resolução. A minha meta é buscar 100%. Vamos melhorar com polícia técnica científica. Quando assumi acho que era na faixa de 4% a 5%.

Candidatar-se a governador do Rio está entre os seus planos?

Não. É uma opção pessoal.

O senhor pensa na possibilidade de ser mantido no cargo de secretário de Segurança no novo governo?

Não. Já fiz o que tinha que fazer. Não sei para onde vou. Acho que vou me aposentar. Eu criei dois filhos, que hoje estão com 28 e 25 anos, mas não os acompanhei quando eram pequenos porque viajava muito pela Polícia Federal.

Me separei e o fato de ter criado meus filhos de longe ficou na minha cabeça. Agora tenho um filho de 2 anos. Quando a minha mulher ficou grávida, planejei me dedicar mais a ele. Mas está pior do que os outros dois. Ele começou a creche este ano e eu só o levei duas vezes. E ainda o deixei chorando.

E planeja ter outro filho?

Não. Deste mato não sai mais coelho.

Reportagem de Aziz Filho, Elaine Gaglianone e Joana Costa

O Dia Online