quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Moradores ilhados improvisam ponte para chegar ao Centro de Bom Jardim

Depois de ficar uma semana ilhados, moradores dizem estar aliviados.
Por causa das chuvas, um trecho da rodovia RJ-116 foi destruído.

Do RJTV

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Moradores da zona rural de Bom Jardim, na Região Serrana do Rio de Janeiro, que estavam ilhados há uma semana, já conseguem chegar ao centro do município por uma ponte improvisada. A viagem entre Nova Friburgo e Bom Jardim, que era feita em pouco mais de vinte minutos, está levando mais de uma hora.

Como todas as pontes foram destruídas, voluntários decidiram improvisar e construíram uma ponte de madeira que liga as áreas mais prejudicadas ao centro. Na tarde desta quarta-feira (19), o movimento foi tão grande que muitas pessoas tiveram que esperar para fazer a travessia.

Depois de ficar uma semana ilhados, moradores dizem estar aliviados. Um idoso de 60 anos que passava mal pôde ser levado para o hospital. Voluntários que ergueram a ponte ajudaram no socorro. A tragédia das chuvas já deixou 742 mortos em seis cidades. Ainda há pelo menos 17 localidades em que só é possível chegar de helicóptero ou carro 4x4.

Por causa das chuvas, um trecho da rodovia RJ-116 foi destruído faltando dois quilômetros para chegar ao município de Bom Jardim. A ponte foi arrastada pela força do rio. Na encosta, operários e máquinas trabalham na construção de um desvio. Agora que parou de chover, carros e motos conseguem seguir por uma estrada de terra batida.

Os distritos foram castigados. Casas não resistiram à enxurrada e desabaram. Boa parte dos moradores ainda está sem água e sem luz. A água chegou quase no teto de um posto de saúde e a grande quantidade de lama dificulta o acesso. O posto ficou completamente destruído.

Vítimas

Segundo a prefeitura de Bom Jardim, na terça-feira (18), foi encontrado o primeiro corpo na cidade, oficialmente, no distrito de São José do Ribeirão. Quatro pontes caíram, dividindo a cidade em quatro regiões. Há muitas áreas em que a ajuda só chega de helicóptero. Entre elas: Banquete, São José do Ribeirão, São Miguel, Bem te vi, Bom Destino e Jardim Boa Esperança.

Toda a frota da prefeitura foi destruída pelas águas, o que dificulta o acesso das equipes de resgate e serviço na cidade e 1.200 pessoas estão desalojadas e 700

G1 - Chuvas no RJ

'Deve ter muita gente soterrada debaixo dessa lama', diz sobrevivente

Uma semana depois das chuvas, moradores ainda estão sem água e luz.
Defesa Civil tem dificuldade de levar mantimentos para os moradores.

Henrique Porto Do G1 RJ, em Teresópolis

Pouco mais de uma semana depois das fortes chuvas que atingiram a Região Serrana do Rio, a situação continua precária na Posse, uma das localidades mais afetadas de Teresópolis. Parcialmente isolados, moradores estão sem água e luz. O difícil acesso dificulta o restabelecimento dos serviços e a distribuição de mantimentos.

“A gente ainda não acredita no que aconteceu. O nível da água subiu uns sete metros. Pedras gigantescas rolaram aqui para baixo. Foi tudo engolido pela lama. Acredito que ainda deva ter muita gente soterrada debaixo dessa lama toda. Essa é a minha maior tristeza”, disso o produtor cultural Louis Capelle, que mora próximo ao leito do “novo” rio e também está sem água e sem luz.

Agentes da Defesa Civil tiveram dificuldade na terça-feira (18) para chegar às regiões mais críticas do bairro. Os problemas começaram logo na estrada que leva à parte mais alta da região. Troncos de árvores distorcidos, galhos, pedras e muita lama são os maiores obstáculos para os veículos que levam água e comida.

Em alguns trechos do percurso, é possível ter uma ideia mais concreta do que foi perdido na tragédia, como nas proximidades do leito do rio que corta o bairro. Por causa da força das águas, teve seu curso desviado para onde antes só havia casas. Agora só é possível enxergar por inteiro algumas delas. Uma bota, a pára-choque de um carro e uma boneca sem roupa completam o cenário que lembra o de um filme-catástrofe.

Moradores pedem medicamentos

No caminho que leva até outra parte do bairro, os agentes param para atender os moradores de uma casa que pedem medicamentos: “Por favor, sou hipertensa e não posso deixar de tomar meu remédio. Não saio de casa há seis dias. Também não há energia elétrica”, lamentou a senhora de 68 anos que não quis se identificar.

Além da necessidade de atender aos mais carentes, a Defesa Civil também alerta para os proprietários de imóveis em locais de risco, como encostas ou beiras de barrancos – alguns destes locais já começam a apresentar fendas no solo.
Tiago da Silva, funcionário do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis, explica que já notificou moradores diversas vezes, mas a resposta é sempre a mesma: “Eles dizem que não querem sair. Ou por que acham que estão seguros ou por que não têm para onde ir. Alguns também têm medo de saques. Dizem que algumas casas temporariamente vazias já foram arrombadas e roubadas. Preferem se arriscar e ficar”, comentou.

Os sinais de recuperação ainda são tímidos, o que aponta para um tempo considerável até que tudo se restabeleça. “Mas o que importa mesmo são as vidas perdidas aqui. Isso sim nunca conseguiremos recuperar”, queixou-se Louis.

G1 - Chuvas no RJ

Jipeiros e motociclistas se unem para levar doações a áreas isoladas

Veículos 4X4 e motos vencem a lama e usam o que sobrou das estradas.
Grupos partirão novamente para pontos atingidos. Veja como participar.

Milene Rios Do G1, em São Paulo

Clubes de jipeiros, proprietários de veículos 4X4 e de motos para trilha de várias cidades do Rio de Janeiro se uniram e partem em grupos organizados para socorrer as pessoas que ficaram isoladas, após as fortes chuvas que atingiram a região serrana na última semana. Os veículos preparados para a lama têm conseguido chegar em lugares que nem mesmo os caminhões do exército passaram. 

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Veículos com tração 4X4 são mais altos, têm pneus especiais e guincho elétrico, por isso estão conseguindo chegar as áreas isoladas  (Foto: Jeep Clube de Teresópolis)

“Em alguns locais, carros e motocicletas de uso urbano não conseguem chegar por causa da lama e os caminhões do exército, às vezes, tem dificuldade para passar no que sobrou de algumas estradas por causa do tamanho do veículo”, afirma o major Rovian Alexandre Janjar, da 1ª Divisão do Exército.

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Carga é pequena perto do caminhões, mas várias
unidades participam da ação. (Foto: Jeep Clube de
Teresópolis)

Um dos integrantes das equipes de jipeiros é o vice-presidente da Cruz Vermelha do Estado do Rio de Janeiro, Elington Canella, que é proprietário de um veículo 4X4 e têm acompanhado de perto as expedições.

“Partimos na última semana em 25 jipes para identificar as pessoas e dar alimento o mais rápido possível, já que havia famílias que estavam há quatro, cinco dias sem comida”, diz Canella. “A carga que levamos é relativamente pequena por causa da capacidade dos veículos, mas já conseguimos distribuir cerca de 30 a 40 toneladas nos bairros entre Friburgo e Teresópolis.”

Os bairros de Teresópolis - Bonsucesso, Conquista, Ponte Nova, Santa Rita, Vieira -, e os municípios de São José do Vale do Rio Preto e Sumidoro são algumas das áreas atendidas pelo Jeep Clube de Teresópolis e um grupo de motociclistas, que no último final de semana reuniram 68 jipes e cerca de 85 motos de trilha.

Jeeps RioJipeiros entregam doações para moradores do bairro Campinas, em Sumidoro  (Foto: Jeep Clube de Teresópolis)

“Há pontos em que não há a mínima condição de ir com um veículo 4x2 e nem o jipe, que é mais alto e tem tração nas quatro rodas, pneus especiais e guincho elétrico, consegue chegar”, conta Emílio Astori, integrante do Jeep Clube de Teresópolis. “Então saímos com as motos de ‘cross’ que pegam as doações dentro dos veículos, colocam em mochilas e transportam até as famílias.”

De acordo com Astori, já foram entregues 360 cesta básicas, fora produtos de higiene. “Nós vamos ao mesmo ponto mais de uma vez e se, por acaso, sobra algo entramos de novo até distribuir tudo. Sempre tem alguém que ainda precisa”, diz o jipeiro. “E o nosso trabalho não para, pois se hoje as áreas atendidas estão abastecidas, amanhã elas vão precisar de nós mais uma vez.”

Jeeps Rio

Em áreas mais críticas ainda, transporte é feito com 
ajuda de motos (Foto: Niteroi Jeep Clube)

O empresário e motociclista Nilson Neves se orgulha ao dizer que foi o primeiro grupo de socorro a pisar em Campo Grande, bairro de Teresópolis, que o G1 conseguiu visitar nesta terça-feira (18) com ajuda de uma escavadeira hidráulica. De acordo com Neves, ele e um amigo chegaram ao local na quarta-feira (12), um dia após o início das chuvas que castigaram a região serrana.

“Nós conhecemos muito bem a região e fizemos um caminho por dentro do mato”, conta o motociclista. “Os bombeiros de Campo Grande estavam sem comunicação, então intermediamos o contato e fomos buscar luvas para que eles continuassem o trabalho de retirada dos corpos, pois todos, inclusive os voluntários, estavam escavando sem nenhuma proteção nas mãos.”

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Estrada que vai para Sumidoro está bloqueada em várias trechos (Foto: Jeep Clube de Teresópolis)

O distrito de Amparo também foi socorrido por um grupo “da lama”. “Nós fomos os primeiros a chegar em Amparo. A cidade não foi tão impactada, mas ficou completamente isolada “, conta o vice-presidente do Niteroi Jeep Clube, Carlos Erbesdobler. “A situação é tão crítica que quando paramos para um lanche fomos abordados por moradores pedindo a nossa comida e entregamos. Para nós seria apenas um dia sem alimento.”

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Niteroi Jeep Clube se dividiu em três equipes para
atender moradores (Foto: Jeep Clube de Teresópolis)

Os integrantes do Niteroi Jeep Clube se dividiram em três equipes: uma para carregar as doações de Niterói até a região serrana, outra para ajudar a levar os donativos à Cruz Vermelha e a última foi direcionada para atender pedidos de socorro de pessoas que entram em contato com o grupo.

Os clubes de jipeiros e motociclistas do Rio de Janeiro já estão organizando uma nova “subida” no próximo final de semana. Os proprietários de veículos 4X4 e trilheiros que queiram integrar o grupo podem acessar o Fórum Brasil 4X4 e o Jipenet-RJ para tirar dúvidas e receber orientações de como ajudar.

G1 - Chuvas no RJ

Helicópteros já chegaram a todas as áreas isoladas de Teresópolis, diz MJ

Cerca de 225 homens da Força Nacional atuam na Região Serrana.
Número de mortos na região chega a 742 em seis cidades desde terça (11).

Rodrigo Vianna Do G1 RJ

 

O Ministério da Justiça informou, nesta quarta-feira (19), que todas as áreas que ficaram isoladas em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, após as chuvas da semana passada, já receberam ajuda por helicópteros da Força Nacional de Segurança. O número de mortos na região chega a 742 em seis cidades desde terça-feira (11).
Pelos últimos levantamentos dos municípios, são 353 mortos em Nova Friburgo, 298 em Teresópolis, 62 em Petrópolis, 22 em Sumidouro, 6 em São José do Vale do Rio Preto e 1 em Bom Jardim.

De acordo com o Ministério da Justiça, cerca de 225 homens da Força Nacional atuam na Região Serrana. Os helicópteros têm feito de oito a dez viagens por dia levando roupas, alimentos, remédios e médicos. Ainda segundo o governo federal, outros 40 profissionais da Força Nacional estão à disposição caso o governo do Rio precise.

O tempo bom, com bastante sol, foi o grande aliado das equipes de resgate nesta quarta-feira. No entanto, segundo a prefeitura de Teresópolis, grande parte do 3º Distrito, como é chamada a Zona Rural, ainda tem dificuldade de acesso por terra. A área representa 66% do município. A cidade já soma 4.530 desalojados e 3.679 desabrigados das chuvas.

Na última segunda-feira (17), um helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) resgatou 18 moradores – 14 adultos e 4 crianças - da comunidade de Santa Rita, no distrito da Posse, em Petrópolis. Segundo a prefeitura de Petrópolis, eles estavam numa localidade considerada de risco. Todos passam bem.

A comunidade de Santa Rita fica na divisa de Petrópolis com Teresópolis. De acordo com a Aeronáutica, os moradores deixaram as suas casas e foram encaminhados para o Hospital de Campanha que foi montado em Itaipava, onde receberam atendimento médico preventivo (vacinação, medicamentos, curativos). De lá, eles foram levados para Teresópolis.

G1 - Chuvas no RJ

O Filho de ex-prefeito de Nova Friburgo não está desaparecido

POR MARIA INEZ MAGALHÃES

Rio - Mateus Azevedo, 20 anos,  filho do ex-prefeito de Nova Friburgo, Paulo Azevedo, que morreu na tragédia da chuva na Região Serrana do Rio, não está desaparecido como foi noticiado.

A mãe do rapaz, Deuza Rodrigues, confirmou que o filho está vivo.

"Ele saiu da casa do pai para me levar ao hospital. Quando voltamos, a tragédia já tinha acontecido. Andamos oito quilômetros até chegar o local do corpo. Se não fosse meu filho, os bombeiros não iria achar meu ex-marido. Graças a Deus Mateus está bem", disse ela.

Deuza contou que, Mateus ainda conseguiu falar com o pai pela última vez por volta das 4h. "Ele disse que estava entrando água no quarto e de repente a ligação foi interrompida. Nessa hora é que deve ter desabado tudo", lembrou a ex-mulher do prefeito que foi encontrado debaixo dos escombros de sua casa em Campo Coelho.

No dia 13 de janeiro, autoridades da Região Serrana informaram, nesta quinta-feira, que o ex-prefeito de Nova Friburgo, Paulo Azevedo, e seu filho Mateus morreram durante o temporal que atingiu Nova Friburgo desde o início da semana e devastou pelo menos três municípios.

O corpo do ex-prefeito do município, Paulo Azevedo foi encontrado nesta segunda-feira.

O DIA ONLINE - RIO

O Número de mortos na Região Serrana ultrapassa 740

FAB entrega três Estações Meteorológicas Táticas para garantir mais segurança nas operações nas áreas atingidas

Rio - O número de mortos pelas chuvas na Região Serrana do Rio chegou a 742. De acordo com as últimas informações divulgadas pelas prefeituras, nesta quarta-feira, os números são os seguintes:

353 mortos em Nova Friburgo,

298 em Teresópolis,

62 em Petrópolis,

22 em Sumidouro,

06 em São José do Vale do Rio Preto

01 em Bom Jardim.

De acordo com a prefeitura de Teresópolis, o total de desabrigados chega a 5058 e o de desalojados a 6210. O número de vítimas fatais ainda pode suibir no decorrer da semana.

Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia

Em Teresópolis, no bairro Campo Grande, moradores tentam retirar pertences dos escombros | Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia

A Secretaria Nacional de Defesa Civil reconheceu o estado de calamidade pública decretado pelos municípios de Nova Friburgo, Sumidouro e Petrópolis, afetados pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. As portarias número 32, 33 e 34 foram publicadas no Diário Oficial da União desta quarta-feira.

Nesta quarta, a Região Serrana recebeu da Força Aérea Brasileira (FAB), nesta quarta-feira,  três Estações Meteorológicas Táticas, que captam em tempo real informações climáticas locais. Segundo a FAB, os equipamentos são de última geração, embora não sirvam para fazer previsões meteorológicas, e contribuem para maior segurança das operações, além de dinamizar a movimentação de helicópteros das Forças Armadas, da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros em Itaipava, Teresópolis e Nova Friburgo, que atuam nos locais.

Uma semana após o temporal que devastou a Região Serrana, os municípios mais atingidos possuem locais onde o socorro ainda não chegou, uma vez que transitar de carro por estradas é impossível por conta dos deslizamentos e quedas de barreiras, áreas alagadas e da lama, que em alguns pontos atinge até dez metros de altura. Por conta deste cenário de destruição, helicópteros ainda não conseguiram pousar e os moradores ainda estão sem auxílio.

Em Petrópolis, por exemplo, a prefeitura cita a localidade do Brejal como a mais complicada. Os helicópteros não estão conseguindo pousar por conta da devastação da área. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil tentam chegar à região por terra, mas ainda sem sucesso.

Com o passar dos dias, a esperança de se encontrar pessoas  vivas debaixo dos escombros e da lama é cada vez menor. Informações das equipes de socorro que ajudam no resgate às vítimas dão conta de que centenas de corpos ainda podem estar debaixo da terra e que o número de vítimas fatais pode passar de mil.

O DIA ONLINE - RIO

FAB leva barracas doadas por ONG internacional para desabrigados da Serra

Rio - Cerca desete toneladas de equipamentos para montagem de abrigos estão sendo transportados, nesta quarta-feira, em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), de Maceió para a região serrana do Rio de Janeiro.

Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Em Bom Jardim, uma ponte desabou e abriu uma grande clareira na pista | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

De acordo com nota divulgada pela FAB, o material segue em uma aeronave C-105 Amazonas, que deixou a capital alagoana no início da tarde com destino a Base Aérea do Galeão. De lá, os equipamentos serão embarcados em caminhões militares e seguirão para a cidade de Petrópolis.

Os abrigos foram doados por uma organização não governamental (ONG) internacional, que atua em áreas atingidas por terremotos, vulcões, enchentes, furacões, ciclones, tsunamis ou conflitos sociais. Foram doadas 80 caixas de auxílio.

Cada caixa, que pesa quase 90 quilos (kg), contém uma tenda (barraca) e equipamentos de salvamento, para serem usados pelas famílias que estão desalojadas ou desabrigadas.

O DIA ONLINE - RIO