terça-feira, 15 de novembro de 2011

Estratégia para fazer Nem delatar maus policiais

Informações em troca de redução da pena, a delação premiada pode ser oferecida ao traficante que comandou a Rocinha

POR ADRIANA CRUZ

Rio - A cúpula da Segurança Pública monta estratégia para convencer o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, a denunciar policiais corruptos. A delação premiada, informações em troca de redução de pena nos processos, é uma das hipóteses que está sendo estudada para ser oferecida ao bandido. Na madrugada de quinta-feira, após ser preso pela Polícia Federal, Nem garantiu aos agentes que boa parte do seus lucros era destinada ao pagamento de propina a maus policiais.

Nem está preso no Complexo Penitenciário de Gericinó | Foto: Divulgação

“Seria uma oportunidade importante o oferecimento de uma medida judicial para que o Nem contribua com a Justiça e com a polícia. Qualquer tipo de palavra ou assunto que esteja no depoimento será minuciosamente estudado”, declarou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Para discutir a melhor forma de trazer Nem para o lado dos bons policiais, irão se reunir ainda esta semana os corregedores das Polícias Civil e Militar, além da Geral Unificada, e membros do Ministério Público estadual, como o promotor Homero das Neves Freitas Filho. “Temos policiais que prestavam ajuda ao Nem fora da favela e outros dentro. Ele contava com algum serviço de segurança fora do morro”, afirmou Beltrame.

Nesta segunda-feira, os delegados Marcelo Fernandes e Jayme Berbat, da Corregedoria-Geral Unificada (CGU), foram ouvir o depoimento de Nem no presídio de segurança máxima Bangu 1, no Complexo de Gericinó. Porém, o criminoso se recusou a prestar declarações.

Na quinta-feira, agentes da Corregedoria da Polícia Civil tentaram ouvi-lo, em vão. Na véspera, três policiais civis foram presos escoltando bandidos da quadrilha de Nem.

Bandido mais procurado do Rio é preso

Nem foi preso durante operação do Batalhão de Choque, em frente ao Clube Piraquê, na Lagoa, na Zona Sul do Rio, no início da madrugada desta quinta-feira. O cerco aconteceu quando policiais, nas proximidades de um dos acessos a Rocinha, na Estrada da Gávea, desconfiaram de um veículo.

Após abordagem, os ocupantes do carro afirmaram que eram de um consulado e, diante da insistência dos policiais em revistar o veículo, ofereceram dinheiro aos agentes. Após recusa por parte dos policiais militares, a busca no carro foi feita e Nem foi encontrado dentro do porta-malas de um Corolla preto.

Poucas horas antes, um "bonde" com traficantes, escoltado por três policiais civil, um policial militar reformado e um ex-PM, foi detido próximo ao Jóquei da Gávea, também Zona Sul da cidade. A ação foi conduzida por homens Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

Os traficantes presos na ação são: Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, apontado como chefe do tráfico no Morro do São Carlos, no Estácio; Sandro Luis de Paula Amorim, o Peixe, um dos líderes do tráfico na mesma comunidade; Paulo Roberto Lima da Luz, o Paulinho; Varquir Garcia dos Santos, o Carré, e Sandro Oliveira.

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